quinta-feira, 10 de junho de 2010

Pensemos sobre...

O telemóvel…esse flagelo da sociedade contemporânea.
Amado por uns, odiado por outros, peça de vestuário ou adorno, somos obrigados a aceitar a sua
presença como aquele nosso familiar que achamos um chato mas sempre convidado para as festas
familiares…
Vivemos, de facto, numa sociedade telemóvel-dependente. Não saímos de casa sem ele. E se nos
falta, o mundo pára…desmorona aos nossos pés…sentimo-nos despidos…sem rumo…alvo de troça de
cada transeunte que por nós passa.
Naquele autêntico canivete suíço da tecnologia (ele é processador de texto, agenda, lista telefónica,
máquina fotográfica, computador, etc., etc.,) temos a nossa vida. Podemos encontrar relatos de
viagens, números de pessoas que não fazemos ideia de quem são, lembretes de aniversários de
pessoas que não vimos seguramente há um bom par de anos, senhas de acesso às nossas contas
bancárias, de e-mails…tanta mas tanta tralha que teríamos que andar com uma parafernália de
quinquilharia para ter o mesmo nível de arrumação.
E depois, com o passar do tempo, o telemóvel passou a ser o veículo principal de encontro social. Se
proliferava na internet as salas de conversação (chat), nada como as operadoras apresentarem essa
mesma possibilidade…no telemóvel! Assim, a doença mensagem de texto (sms) encontrou um
antídoto à altura e a petizada passou a escrever ainda pior do que o que falava!
Promovendo este fenómeno de vida social virtual, hoje, somos confrontados com a célebre frase
“depois manda-me uma sms”. O que aconteceu ao telefone fixo? É careta? Cota? O que aconteceu à
marcação de encontros no encontro anterior?! À carta? Ao telegrama?
A sociedade evoluiu…sim. Para um nível anti-social, escondido atrás de programas de conversação
on-line, debatendo-se e discutindo por…sms.
Vemo-nos rodeados por gente que vive dependurada no telemóvel, evitando expor-se…assumirse…
mostrar-se. Recolhidos num medo atroz de nada saber dizer, as palavras escritas hoje vivem
numa mutação tal que Camões ou Fernando Pessoa devem contorce-se de raiva no túmulo.
A sociedade está mais aberta sim…mais dinâmica…mais actual.
Está, de facto, mais esclarecida tecnologicamente e poucos (raríssimos) devem ainda resistir a esta
enciclopédia de geringonças.
De facto o telemóvel aproximou-nos de tudo. E de todos.
Mas…não estaremos a entrar num terreno arenoso e a caminhar para que a máquina domine o
Homem e não o contrário? Já reparam no pânico em que ficamos…se…o nosso animal de estimação
tecnológico fica sem bateria…ou saldo para fazer uma chamada? Pois.
Bem me pareceu.

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