segunda-feira, 14 de junho de 2010

Palavras...antigas...II

E começo com um cliché…”A vida é um palco”.
Teatro.
E é aí que começa a entrega. Entre as cinzas das palavras que adormecem no chão do céu, já dizia o poeta…”finge..mas sem fingimento”.
Viajam pelos olhos das vossas personagens e escutam o Tempo na palavra.
Contam segredos….sussurram histórias sobre mundos perdidos.
Enjeitam sonhos.
E mostram-se. Dançam em torno de um texto…confessam-se a um público.
E aleatoriamente...cantam numa fotografia ao acaso.
E esperamos de vocês, homens e mulheres do teatro, que nos peguem pela mão e nos levem numa viagem guiada ao que de mais profundo temos em nós.
Esperamos que nos deixem embevecer nas palavras..como um ópio dactilográfico tomado numa manhã de um dia de Verão qualquer.
Esperamos de vocês que nos ajudem a interpretar um mundo de loucos...sem nos questionarmos sem enlouquecer.
E esperem pelo aplauso. A seiva que vos mantém vivos ou um leito que anormalmente corre do mar.
Parabéns por fazer parte do nosso imaginário.
E espero por vocês para mais uma história…um dia como outro qualquer.
Obrigado.

neBralsKy

Palavras...antigas...I

Ainda não descobri bem o porquê de estar aqui sentado a escrever.
As mãos caminham soltas....ganham vida e criam palavras.
E no entanto tudo são máscaras. São gente. São nada.
Nada para além do nada, nas cabeças onde o nada existe.
O mundo é apenas um cenário louco...intenso...e efémero.
O cenário de uma intensa e perfeita magia.
É a fronteira mágica que nos une.
O rio que nos molha as mãos de sorrisos quando nele vemos os momentos que restou da intensidade, da loucura e do silêncio.
E um mundo de sabores e sensações esconde-se no virar de cada esquina da cidade.
Sempre com novas histórias.
Num novo formato.

neBralsKy

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Pensemos sobre...

O telemóvel…esse flagelo da sociedade contemporânea.
Amado por uns, odiado por outros, peça de vestuário ou adorno, somos obrigados a aceitar a sua
presença como aquele nosso familiar que achamos um chato mas sempre convidado para as festas
familiares…
Vivemos, de facto, numa sociedade telemóvel-dependente. Não saímos de casa sem ele. E se nos
falta, o mundo pára…desmorona aos nossos pés…sentimo-nos despidos…sem rumo…alvo de troça de
cada transeunte que por nós passa.
Naquele autêntico canivete suíço da tecnologia (ele é processador de texto, agenda, lista telefónica,
máquina fotográfica, computador, etc., etc.,) temos a nossa vida. Podemos encontrar relatos de
viagens, números de pessoas que não fazemos ideia de quem são, lembretes de aniversários de
pessoas que não vimos seguramente há um bom par de anos, senhas de acesso às nossas contas
bancárias, de e-mails…tanta mas tanta tralha que teríamos que andar com uma parafernália de
quinquilharia para ter o mesmo nível de arrumação.
E depois, com o passar do tempo, o telemóvel passou a ser o veículo principal de encontro social. Se
proliferava na internet as salas de conversação (chat), nada como as operadoras apresentarem essa
mesma possibilidade…no telemóvel! Assim, a doença mensagem de texto (sms) encontrou um
antídoto à altura e a petizada passou a escrever ainda pior do que o que falava!
Promovendo este fenómeno de vida social virtual, hoje, somos confrontados com a célebre frase
“depois manda-me uma sms”. O que aconteceu ao telefone fixo? É careta? Cota? O que aconteceu à
marcação de encontros no encontro anterior?! À carta? Ao telegrama?
A sociedade evoluiu…sim. Para um nível anti-social, escondido atrás de programas de conversação
on-line, debatendo-se e discutindo por…sms.
Vemo-nos rodeados por gente que vive dependurada no telemóvel, evitando expor-se…assumirse…
mostrar-se. Recolhidos num medo atroz de nada saber dizer, as palavras escritas hoje vivem
numa mutação tal que Camões ou Fernando Pessoa devem contorce-se de raiva no túmulo.
A sociedade está mais aberta sim…mais dinâmica…mais actual.
Está, de facto, mais esclarecida tecnologicamente e poucos (raríssimos) devem ainda resistir a esta
enciclopédia de geringonças.
De facto o telemóvel aproximou-nos de tudo. E de todos.
Mas…não estaremos a entrar num terreno arenoso e a caminhar para que a máquina domine o
Homem e não o contrário? Já reparam no pânico em que ficamos…se…o nosso animal de estimação
tecnológico fica sem bateria…ou saldo para fazer uma chamada? Pois.
Bem me pareceu.

Pensemos sobre...

Crescemos numa era pós-revolução industrial, com o mundo aos nossos pés e ao alcance dos dedos.
Para qualquer lado que dirigimos a cabeça, facilmente podemos perceber a sociedade em que vivemos. Faixas publicitárias a vestir os prédios, carros topo de gama esbaforidos rua abaixo, casas e hotéis luxuosos de várias cores rua acima, casas robotizadas, televisão, internet, etc.
Diariamente somos bombardeados com novas maquinetas, novas invenções, criadas com o único propósito de desculpabilizar um dos 7 pecados capitais do ser humano: a preguiça.
E sem darmos por isso, o nosso quotidiano acomoda-se à insensatez do conformismo. A cada dia que passa, estas mesmas maquinetas em exposição constante no stand televisivo dos intervalos entediantes da nossa televisão, vão ganhando terreno, controlando o nosso subconsciente consumista compulsivamente como se fosse uma droga qualquer.
Hoje percebemos o inicio desta insanidade comunista. Hoje, dou por mim a pensar o caminho que nos trouxe até aqui. Os avanços e recuos cujo objectivo era apenas a produção em série, ajustando a realidade como a conhecíamos e como a gostaríamos de conhecer.
Ao mesmo tempo, percebemos que a Revolução Industrial foi mais do que este caminho selvagem para o consumismo. Criou, também, métodos, objectivos produtivos, evolução tecnológica, regras e conceitos de segurança.
Criou a doença e a cura.
Desafiou-se a si mesma, preocupando-se aos poucos com o que a fazia mover. O ser humano, na sua mais intrínseca essência. Cresceu e depois de uma adolescência atribulada, a idade adulta trouxe maturidade, equilíbrio, sensatez e uma evolução sustentada.
Politicas de segurança foram criadas para o nosso bem-estar, desculpabilizando, assim, o egocentrismo do Homem, o desejo interminável pelo consumismo e, por mais ridículo e despropositado que possa parecer, pela infindável capacidade de sonhar.

Pensemos sobre...

O ritmo frenético dos nossos dias trai a nossa visão dos factos e faz-nos abstrair do que nos rodeia. De repente, no único trajecto diário que conhecemos (casa/trabalho/casa) reparamos num edifício quase construído do outro lado da estrada num parvo “Ui…! Como é que isto veio aqui parar?!”, admirados com a nossa estupenda visão periférica.
Mas não ficamos por aqui.
Embrutecidos pelo crédito da casa, do carro, da viagem de férias, etc., levamos a vida a olhar para o nosso umbigo, ansiosamente refastelados no sofá lá de casa. Distraídos pelo mundo, monopolizando o controlo remoto num zapping estonteante, num desporto de levar os nervos ao pico dos restantes cúmplices do nosso agregado familiar.
De repente, paramos por um segundo na viagem de regresso a casa, depois de um stressante e entediante dia no escritório, e olhamos em redor. E sem darmos por isso, somos meros espectadores da nossa própria vida, parte de uma obra bem maior que a nossa pequenez egoísta.
Percebemos que enquanto ansiamos pelo nosso trono da sala, outros percorrem as ruas na sombra das entradas das lojas. Enquanto assistimos ao nosso programa favorito degustando um qualquer mimo gastronómico, outros basculham o lixo em busca do mais pequeno pedaço de comida que consiga enganar a própria boca. Enquanto brincamos às etnias em folia carnavalesca, outros carregam vivem nessas máscaras uma vida, lutando apenas para que os vejamos como iguais.
Hoje aprendemos a olharmo-nos ao espelho. E, principalmente, a ver aquilo que os nossos olhos escondem na maior parte das vezes. Umas por repulsa. Outras por conveniência. E talvez a mais importante delas todas, por medo.
Adormecidos em camas pedra-mármore, embrulhados em edredões de papelão dum qualquer electrodoméstico, vemos iguais abandonados pelos seus ou sem eles, perdidos, sem qualquer sentido a seguir ou direcção a tomar. Vemos licenciados, indiferenciados, quadros médios ou analfabetos, apenas tendo como tecto o universo.
São gente da minha terra, moribundos num jazigo nómada.
E receamos o dia do Amanhã, de ver nos olhos de alguém conhecido a mesma imagem que tanto nos repulsa ou que, convenientemente, ignoramos.
A globalização ou a crise. A economia ou a sociedade. Mitos urbanos que, alternadamente, vão servindo de desculpa ou razão para a justificação da fraqueza humana.
Hoje percebemos que os nossos horizontes são bem maiores do que aqueles que a nossa vista alcança e que a humanidade e a cidadania deveria ser bem mais que apenas conceito.
Começa com um pequeno gesto todos os dias.
Um pequeno momento mágico num circo cada vez maior que é a nossa vida.

Pensemos sobre....

Num estado de livre arbítrio somos a voz que nos encerra.
Vivemos uma sociedade livre…de respeito que deveria ser mútuo…num universo cada vez mais pequeno.
Somos a voz da nossa própria liberdade…vitimas da nossa própria vontade.
Devotos e pecadores, egoístas ou altruístas, complexados ou extrovertidos, somos todos parte de um todo que é o mundo. Nele respiramos e respeitamos a sua vontade.
Entretanto, nem todos caminhamos pela mesma estrada. Com os comportamentos desviantes, a sociedade encarrega-se de os conduzir para os lugares certos.
Regendo-se por códigos de conduta vinculados em cada Constituição, em cada sociedade civil encontramos formas diferentes de abordar as questões.
Em sociedades quer ditas desenvolvidas ou não, encontramos a pena de morte.
Levantamo-nos a questão sobre a nossa autoridade para tirar a vida a outro alguém. Numa discussão mais introspectiva, a resposta mais frequente será não.
Nesse momento, coloco de novo outra discussão em fórum. E que autoridade tem alguém que tira a vida a outro alguém apenas porque está doente…psicologicamente desequilibrado…por motivos passionais ou apenas porque está no local errado à hora errada?
Talvez neste momento…paramos para pensar.
E lançando ainda mais a revolta…e se formos nós a vitima? Gostaríamos de ter a oportunidade de pagar na mesma moeda ao nosso agressor? De o fazer sentir a ausência de coisa nenhuma, a aridez de sensações, o deserto de emoções, o vazio da própria existência?
Penso que a resposta mais cabal e maioritária talvez seja o sim.
Mas, a questão não se coloca nos moldes da usurpação da vida de um semelhante.
Crimes hediondos como a pedofilia ou violação? Que castigos deveriam ter os seus autores?
Eu, comum mortal me confesso.
Vivemos numa sociedade livre, onde nos manifestamos, crescemos e vivemos.
Para bem do equilíbrio, raptar os autores destes desvios à sociedade civil e enclausura-los num edifício pode não ser a melhor solução.
E, num ataque de humanidade, não devemos nós ter uma oportunidade de nos redimirmos do que fizemos mal? Sim, devemos.
E na reincidência do mesmo acto, talvez o melhor seja eliminar o mal pela raiz. Como fazemos com as ervas daninhas que nos destroem o relvado saudável.
Acredito que não todos. Alguns exemplos talvez bastem para que nós, comuns mortais, tenhamos mais respeito pela liberdade dos outros.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

# 11 . nov. 1909 #

Sala vazia.
Desconhecidos rodopiando de um lado para o outro. Eis-me sentado.
A minha vez espreita depois de mais um nome que nada me diz.
E mais um dia de silêncio.
Pergunto-me se perguntas por mim.
Se te lembras de me ver sorrir…se lembras o que fizemos juntos.
E sinceramente não sei. Não sei mesmo.
Estou por aqui…à deriva…desejando encalhar em lado nenhum.
Mais um nome…mais uma oportunidade que se esgota.
12H11 agora. E cinco minutos depois ainda no mesmo lugar…repetindo as últimas três horas.
Nada muda. Nada parece querer mudar.
Daqui…sigo para outro qualquer lado.
Aí…onde ninguém continua à minha espera…em silêncio…sem nada para dizer.
De novo penso em ti.
Sem te recordar…espero-te bem. A lutar por ser feliz.
Sei…ou acredito…que o serias comigo.
Sei…ou acredito…que te faria ria todas as manhãs…com um beijo de bons dias às escondidas…à espera que o final do dia me recompensasse com o teu abraço.
Sei…ou acredito nisso.
Porém…pareces não pensar da mesma forma.
E não te condeno por isso. Não…nem posso.
Somos o resultado das opções que tomamos.
Das experiências que temos…e finalmente a obra acabado do que sentimos.
Sem isso…não somos nada.
Somos um saco vazio…que não leva nada para lado nenhum.
Somos um livro de páginas em branco…uma paisagem sem nada para ver.
E somos tudo…quando sentimos…experienciamos…vivemos!
Somos uma história…quando temos alguém a quem a contar.
Sem ela…somos personagens num monólogo sem assistência…num teatro habitado por fantasmas em fotografias.
E chamamos-lhe…fábula. Somos assim.
Passamos a vida numa busca incessante por um público…e desaba o mundo quando o perdemos. Irónico não?
12H25. O Tempo esquece-se de me chamar. Não tem importância…tenho Tempo…para preencher uma vida que se esgota no teu silêncio.
E porque não sais da minha cabeça?
Não quero pensar em ti. Sai…peço-te. Segue o teu caminho e deixa-me.
Leva a tua presença em mim para junto de ti. Leva.
E devolve a parte de mim que levaste quando partiste.
Devolve-me o sorriso…a minha paz…a minha essência.
Vivo hoje na sombra do que me fizeste sentir um dia.
E não sei o que pensar que já não o tenha feito.
Volto sempre às mesmas questões…todas a começar por…porquê.
Gostava de saber de ti.
Se estás bem… feliz…se pensas em mim.
Talvez não…talvez sim.
Deixa. Segue o teu caminho.

terça-feira, 8 de junho de 2010

# 10 . nov. 1909 #

Hoje…inquieto-me.
Desde cedo que um nervosismo miudinho ferve em mim.
Porquê não sei.
E sinto-te presente. Muito.
Quase como uma bolha de ar…que vai enchendo e ganhando forma dentro do meu corpo.
Mas convenço-me que não há retorno…convencido que segues o teu caminho.
A minha estrada não é mais a mesma.
É uma linha que me leva sempre aos mesmos sítios com um GPS memorizado.
Pelo caminho…vou falando sobre ti.
E confesso-te que não tenho muito a dizer.
Por entre cigarros e copos de vinho…habituo-me à tua ausência…constantemente presente…ou a um lugar vazio que sempre lá esteve.
Vou tendo o mar como companhia ou alguns desconhecidos que por aqui passam…e comungam as mesmas lágrimas do oceano que se deixam adormecer na areia da praia.
Vezes e vezes sem conta.
Reparo agora que apenas tenho escrito sobre ti…ou nós.
São páginas e páginas do que vou pensando…com ou sem razão…mas sempre sinceras.
É uma forma das coisas que sinto ganharem textura…cor…ordem.
E mais um dia que passa.
Acordei com uma mistura de sentimentos.
Inquieto…nervoso…impaciente.
Por outro lado…quase que em simultâneo…tranquilo…bucolicamente sem reacção. Estranho.
A sensação de liberdade deu lugar à saudade…à frustração da ausência…a uma negação que não existe.
De repente…sinto a tua falta.
Eu que tenho repetido vezes sem conta que não te procuro mais.
E talvez não queira mesmo.
Talvez sejam espasmos sentimentais da tua presença a sair do meu corpo…fechando-se…num escudo invisível por cada centímetro que o meu espírito conquista no teu percurso de saída.
Talvez.
Senti-me sozinho nesta batalha por ti.
E sinto-me sozinho nesta guerra contra o feudalismo que ousaste usar em mim.
E luto pela liberdade da minha mente…forçando-a a libertar-me da tua presença…todos os segundos do meu dia.
Não nego. Continuas lá.
E hoje…especialmente com força.
E pergunto-me vezes sem conta…se esta sensação não será por não estares bem…de precisares de mim…como uma bóia que te faça respirar de novo.
Talvez precisasses de te rir agora. Solta…livre…como te fiz sentir todos os momentos juntos.
Ou então…é o desejo inconsciente de que voltes…e me digas que não queres estar sozinha…não consegues partir e precisas de minha presença.
Mas não. Não quero saber.
Estive sempre ao teu lado…e hoje não quero mais estar.
Estou cansado…de ti…dos passos atrás e principalmente da indiferença.
E por isso…mantenho-me aqui…quieto…a deixar passar as horas.
Um dia…tudo terá um fim.
Um dia…acordarei numa manhã como tantas outras partir daí…e tu não estarás mais comigo.
Um dia…finalmente serei livre da tua presença…e recuperarei o meu corpo…que é meu por direito e foi teu enquanto assim o quiseste.
Um dia…amor…o meu céu deixará de ter o teu norte e as estrelas espalhar-se-ão no vento.
Um dia…será assim.
Prometo.
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E eis que chega finalmente o fim do dia.
Chega por fim o desejo pela cama que um dia já foi tua…hoje deserta como uma praia no inverno.
E sinto-me sem forças. Esgotado.
A mente vai pregando partidas…e o tempo delicia-se a assistir.
Mas que Tempo é este?
Um Tempo marcado pela rotação de um planeta numa lei de opostos.
É o Tempo que separa o dia da noite…e o espaço que percorremos nesse percurso.
Isto é o Tempo.
E como seres pensantes que somos…decidimos medi-lo em horas…reduzindo-o a minutos ridicularizados em segundos.
E este arrastar dos segundos cala-me a voz.
De novo a mordaça surda que rasga o silêncio do passar deste Tempo. E aqui estou.
Neste caminho entre o dia e a noite…todos os segundos do meu Tempo.
E espero. Confesso que espero que saias de uma vez…ou então que decidas entrar e ficar para sempre.
Agora que penso nisso…não sei. Confesso que não sei o que escolher.
Lá no fundo…acho que já escolheste por mim.

# 09 . nov . 1909 #

Terminou.
Fim de uma história que nunca passou do prefácio.
E sinto-me livre…por estranho que possa parecer…sinto-me livre.
Contudo…não entendo porque terminou.
Ou melhor…talvez até entenda.
Transporta para mim toda a frustração.
Culpa-me…castiga-me…revolta-se.
Por incrível que possa parecer…comigo é feliz.
Ri solta…deseja-me…embebe-se na minha loucura desmedida.
Quando parte…desespera…perde-se nas emoções…rebaixa-se e vulgariza-se.
Comigo…passeia…deita-se no chão…recebe flores…declamações de poesia…jantares…e amor.
Deitados lado a lado…delicia-se no toque…enlouquece no beijo…e adormece num sorriso pintado pela felicidade.
Então…perguntam-se…então…porquê terminar?
Sinceramente? Não sei.
De facto, não faz muito sentido não. Mas por outro lado…quem sou eu para questionar?
Chama-se…respeito.
Não quer…não vou impingir a minha presença…discutir…ameaçar coisa alguma.
Ao contrário…nunca respeitaste o que sinto…o que tentei ser na tua vida…tudo que fui construindo para te fazer bem.
Este elevador emocional…este vai e vem constante revela isso mesmo.
Não saberes o que queres…e uma falta de sensibilidade atroz.
E o que fica…basicamente…é nada.
Hoje…amor…esvazio as gavetas da memória…na expectativa de saíres do meu corpo.
Quase como uma ordem de despejo que exijo ao meu corpo…à minha mente.
Mas não deixo de pensar em ti…confesso. Não.
Quero-te presente para me lembrar do quanto foste cruel…egoísta…e indiferente.
Apenas…quero-te presente para me lembrar do quanto não me respeitaste.
Hoje…sinto-me bem comigo…não me arrependendo de absolutamente nada.
Mas quero apagar-te da minha vida.
Não te odeio…amor. Estaria a odiar-me a mim mesmo.
Não tens culpa da falta de fraqueza…ou falta de coragem.
E não tens culpa de não sentir o mesmo que eu.
Apenas te culpo pela falta de verdade…usado e abusado…como um objecto que arrumamos no sótão de casa…que um dia pode dar jeito para qualquer outra coisa.
Mas sou mais que isso. Muito mais que isso.
E acabo…por me culpar a mim.
Por ter permitido que o fizesses a primeira vez.
E ter deixado que o fizesses de novo…de novo…e de novo.
Chega.
Não quero mais esta mudez…esta mordaça que me cala a voz…algema-me os gestos…que finge não existir.
E estou bem.
Sinto-me livre do cativeiro em que vivi estes últimos tempos.
E acredito…que todos os dias…serão um pouco melhor.

# 07 . nov. 1909 #

E sexta-feira termina agora…nas primeiras oito horas de sábado.
De repente…tudo muda.
Mas uma mudança diferente das outras vezes. Mudam as pessoas.
Mudei eu.
Aceito de uma vez que não vale a pena lutar contra moinhos de vento. Não vale.
É demasiada indiferença para ser ignorada.
Foram demasiadas feridas por curar.
E só faz falta…só sentimos verdadeiramente a falta…de quem está.
De quem não está…não está.
Ponto.