terça-feira, 8 de junho de 2010

# 10 . nov. 1909 #

Hoje…inquieto-me.
Desde cedo que um nervosismo miudinho ferve em mim.
Porquê não sei.
E sinto-te presente. Muito.
Quase como uma bolha de ar…que vai enchendo e ganhando forma dentro do meu corpo.
Mas convenço-me que não há retorno…convencido que segues o teu caminho.
A minha estrada não é mais a mesma.
É uma linha que me leva sempre aos mesmos sítios com um GPS memorizado.
Pelo caminho…vou falando sobre ti.
E confesso-te que não tenho muito a dizer.
Por entre cigarros e copos de vinho…habituo-me à tua ausência…constantemente presente…ou a um lugar vazio que sempre lá esteve.
Vou tendo o mar como companhia ou alguns desconhecidos que por aqui passam…e comungam as mesmas lágrimas do oceano que se deixam adormecer na areia da praia.
Vezes e vezes sem conta.
Reparo agora que apenas tenho escrito sobre ti…ou nós.
São páginas e páginas do que vou pensando…com ou sem razão…mas sempre sinceras.
É uma forma das coisas que sinto ganharem textura…cor…ordem.
E mais um dia que passa.
Acordei com uma mistura de sentimentos.
Inquieto…nervoso…impaciente.
Por outro lado…quase que em simultâneo…tranquilo…bucolicamente sem reacção. Estranho.
A sensação de liberdade deu lugar à saudade…à frustração da ausência…a uma negação que não existe.
De repente…sinto a tua falta.
Eu que tenho repetido vezes sem conta que não te procuro mais.
E talvez não queira mesmo.
Talvez sejam espasmos sentimentais da tua presença a sair do meu corpo…fechando-se…num escudo invisível por cada centímetro que o meu espírito conquista no teu percurso de saída.
Talvez.
Senti-me sozinho nesta batalha por ti.
E sinto-me sozinho nesta guerra contra o feudalismo que ousaste usar em mim.
E luto pela liberdade da minha mente…forçando-a a libertar-me da tua presença…todos os segundos do meu dia.
Não nego. Continuas lá.
E hoje…especialmente com força.
E pergunto-me vezes sem conta…se esta sensação não será por não estares bem…de precisares de mim…como uma bóia que te faça respirar de novo.
Talvez precisasses de te rir agora. Solta…livre…como te fiz sentir todos os momentos juntos.
Ou então…é o desejo inconsciente de que voltes…e me digas que não queres estar sozinha…não consegues partir e precisas de minha presença.
Mas não. Não quero saber.
Estive sempre ao teu lado…e hoje não quero mais estar.
Estou cansado…de ti…dos passos atrás e principalmente da indiferença.
E por isso…mantenho-me aqui…quieto…a deixar passar as horas.
Um dia…tudo terá um fim.
Um dia…acordarei numa manhã como tantas outras partir daí…e tu não estarás mais comigo.
Um dia…finalmente serei livre da tua presença…e recuperarei o meu corpo…que é meu por direito e foi teu enquanto assim o quiseste.
Um dia…amor…o meu céu deixará de ter o teu norte e as estrelas espalhar-se-ão no vento.
Um dia…será assim.
Prometo.
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E eis que chega finalmente o fim do dia.
Chega por fim o desejo pela cama que um dia já foi tua…hoje deserta como uma praia no inverno.
E sinto-me sem forças. Esgotado.
A mente vai pregando partidas…e o tempo delicia-se a assistir.
Mas que Tempo é este?
Um Tempo marcado pela rotação de um planeta numa lei de opostos.
É o Tempo que separa o dia da noite…e o espaço que percorremos nesse percurso.
Isto é o Tempo.
E como seres pensantes que somos…decidimos medi-lo em horas…reduzindo-o a minutos ridicularizados em segundos.
E este arrastar dos segundos cala-me a voz.
De novo a mordaça surda que rasga o silêncio do passar deste Tempo. E aqui estou.
Neste caminho entre o dia e a noite…todos os segundos do meu Tempo.
E espero. Confesso que espero que saias de uma vez…ou então que decidas entrar e ficar para sempre.
Agora que penso nisso…não sei. Confesso que não sei o que escolher.
Lá no fundo…acho que já escolheste por mim.

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