sábado, 29 de maio de 2010

Pensemos sobre...

Tendo como principio básico que todas as experiências são únicas, didácticas e construtivas, isolá-las do seu contexto é errado.
As experiências são o fruto do nosso dia-a-dia, vítimas do nosso quotidiano, resultado das coisas mais importantes bem como das mais triviais, passagens que guardamos em forma de memorial.
De facto, a nossa evolução cognitiva conduz a um reforço da nossa estrutura empírica. Mas nem só de experiências positivas vive o nosso processo de aprendizagem.
Recorrendo à ancestral sabedoria popular, aprendemos mais com os nossos erros do que com aquilo que fazemos bem à primeira. A génese humana tem mais receptividade a lembrar aquilo que faz de mal…
Este enriquecimento empírico não é a mais do que o resultado das nossas acções do dia-a-dia. Solidifica a confiança, deixa transparecer uma segurança mental, perpetuando uma postura profissional e interpessoal. E sem darmos por isso, abrem-se portas.
O crescente equilíbrio entre o senso comum e o lado empírico cria-nos uma estranha sensação de liberdade. A estabilidade profissional pode estar ao virar da esquina, desde que mantenhamos um caminho eticamente correcto. Mas não só. Esta evolução natural promove, igualmente, um novo estatuto social, novas relações humanas, estimulando, o não menos importante, lado emocional.
E é inegável o peso que as emoções têm no nosso quotidiano. Turvam a nossa mente, desafiam fantasmas, receios, fobias às nossas próprias capacidades e expectativas. Nervosos, recuamos perante as adversidades, ficando à sombra do que eventualmente aconteceria se falhássemos. Por este caminho, somos dirigidos para o trabalho precário, insatisfeitos, de mal com o mundo. Passamos a viver ao lado da realidade, culpabilizando o vizinho pelo carro que não temos, a senhora que apanhamos na fila do supermercado pela multa que chegou pelo correio, as obras da estrada por termos chegado atrasado à reunião semanal com os amigos.
Acabamos abraçados à inveja, empobrecidos de espírito, derrotados em toda a linha.
Tornamo-nos vagabundos do nosso próprio corpo e, ausentes de vontade, por perder o que nos resta de dignidade. O lado emocional atrapalha-se, conduz-nos inevitavelmente ao fim da linha. A família desfaz-se, o trabalho desaparece e apenas nos resta o mundo onde desaguar as nossas frustrações.
Assim, todas as experiências são únicas, didácticas e construtivas. O que fazemos com elas marcam de forma inequívoca o nosso dia de Amanhã: ou nos torna vencedores ou derrotados pela nossa própria vontade.
Ou falta dela.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

# 06 . nov . 1909 #

Parece ser talvez o princípio do fim.
O mesmo princípio que teima sempre a reiniciar.
Talvez desta vez…seja o princípio do fim…ou demasiado perto do fim.
Talvez nenhuma das duas. Ou talvez ambas.
Apenas estranho este silêncio.
Esta quietude sepulcral.
Mais uma vez não sei porquê.
Não percebo porque se fecha em silêncio e não se partilha comigo.
Porque se torna tão indiferente da pessoa que é quando está comigo…e tão fria e distante…indiferente assim que parte.
Não entendo o que muda.
Parece um castigo.
Quase como uma pena por a fazer sentir tão bem…viva…a cores.
E não entendo. Não consigo.
Dou voltas e voltas à cabeça para estar perto…presente…cúmplice…e parece que luta contra isso.
Até que a vontade do querer estar vença a vontade que não quer.
Mas por certo terá razão.
Pena é que não as partilhe comigo.
Porquê…isso já é outra história.

# 05 . nov . 1909 #

Mais um dia…mais uma página arrancada do calendário.
Inquieta-me a distância…a indiferença.
Compreendo as diferenças…mas a sensação de indiferença…consome-me.
Embora calmo…tranquilo…surpreendentemente tranquilo.
Quase como se nada disto estivesse a acontecer.
Como se nada disto…existisse de facto.
Corro riscos…dou de mim.
De retorno…nada sei.
Parece-me uma ligação unilateral.
Quase como um elo que teimo a não deixar quebrar.
E o tempo passa.
Com ele arrasta-se a vontade.
E sinto-me vazio…oco.
Ouço ao longe um eco de coisa nenhuma…que não sei onde começa…nem muito menos onde acaba.
Apenas sempre a mesma voz…num monólogo aparentemente infantil…que nada traz de novo.
Não tenho vontade de lutar mais…agora.
Talvez o meu estado febril me roube a pouca força que ainda me resta. Talvez.
Ou talvez seja mesmo o limiar da fronteira com o Adeus.
Canso-me de ouvir tanto…”não”.
Este negativismo constante rouba o brilho ao iluminado sentimento que julgo ainda sentir.
Mas cansa-me.
Como sempre…mãos vazias…e pautas sem notas.
Apenas frases soltas…aqui e ali…alimentando uma vã esperança faminta por acreditar.
E nada sei. E também nada diz.
Refugia-se não sei bem o quê…não sei bem aonde…não sei bem como.
E por aqui fico.
A ouvir o cântico da chuva…melancólico e monocórdico. Único.
Nenhuma gota cai duas vezes no mesmo lugar.
Quase como um sentimento que nunca cresce duas vezes da mesma forma.
Ou existe…ou pura e simplesmente desaparece.

terça-feira, 11 de maio de 2010

# 04 . nov . 1909 #

E mais um dia de silêncio.
Sem razão aparente…calam-se as vozes.
Um surdo diálogo como resposta. Nada.
E não entendo. Sinto que não estás bem… que algo te atormenta.
Algo te consome.
Durante a ausência, o silêncio invade o espaço entre nós. Porquê?
Não entendo e sento-me de novo.
Ali…naquele canto do meu quotidiano.
Enquanto te espero, jogo este xadrez mental…alimentando coisas para fazer…como te surpreender…como te deixar cativa.
Penso em como te fazer livre…e voar nas asas da minha louca imaginação.
E o silêncio esconde-se pela noite…agora.
A voz que me sossega atrasa-se e adormeço sem vontade de sonhar.
Onde te escondes…riso que me faz renascer?
Por onde andas voz que me faz acordar todas as manhãs?
Sem ti…o dia nasce sem cor.
É um guião sem qualquer cena de uma longa curta-metragem.
Como te disse um dia…o que sinto…é como um perfume.
Sem ti…é inodoro.
Fala-me…conta-me coisas.
Ri para mim.
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E de repente…sinto que te afastas de novo.
Mais uma vez…parece que o nevoeiro ou uma névoa de poeira varre a tua vontade.
E uma vez mais…de volta ao quarto escuro…condenado por uma culpa de coisa nenhuma.
Resta-me a prisão por te fazer feliz…por pintar um sorriso a cores na tua face.
E desta vez…então…seja feita a tua vontade.
Desta vez…serei apenas a sombra nas ruas.

# 01 . nov . 1909 #

E tudo muda.
Hoje...voltamos a ser um só.
Como uma antiga noite de verão.
Demos as mãos...como se o Amanhã fosse apenas conceito.
E amei-te de novo.
Quase como se tivéssemos voltado aquele recanto da história.
E chamei-te...Deusa Nua de Céu Estrelado.
Talvez assim...faça jus quer à tua beleza...quer à forma como o nosso espírito se une.
A ti…senhora do meu destino…faço-me teu vassalo.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

# 29 . out . 1909 #

Olá.
E perdi...ou talvez tenha querido perder.
Parto…hoje.
Sem hora de regresso ou talvez para nunca mais voltar.
Não sei o que sentir…agora.
É uma mistura de ódio, desilusão, desaventura, tristeza…solidão.
Reparo que sinto o corpo vazio. Acho que como sempre esteve.
Pergunto-me coisas para as quais não tenho respostas…ou porque não sei…ou porque não quero saber.
São lentos os dias. Arrastam-se as horas…e cada segundo uma eternidade efémera que nada diz.
E pergunto-me de novo.
E mais outra…e mais outra.
Recomeço de novo.
Sempre no mesmo ponto de partida. Nada. E as mãos vazias.
Faz-me falta o álcool.
As cores ganham vida…falam comigo.
A vida agita-se…ganha voz. Com ele falo…rio…desapareço nas palavras.
A noite chega mais depressa e o sono consome-me num sonho que nunca me lembro!
Às vezes desejo não acordar…e viver um sonho durante mil anos!
Outras…parece que sonho acordado.
E qual alegoria de Platão…acordar nessa realidade é atroz.
Mas fecho os olhos e caminho de mãos dadas com o destino.
Sem saber muito bem para onde…deixo-me levar.
Outras vezes, sento-me e espero.
Espero por algo que teima não chegar…ou teima não querer chegar.
E podia…de novo…fazer perguntas. Aqui mesmo…mas não.
Ficam apenas no silêncio do pensamento…oculto…escondido…na minha mente.
Basta. Chega.
Acabou o vaivém de coisa nenhuma.
Acabou o jogo de esconder que nada traz de novo.
E por muito que custe…agora…Amanhã custará sempre menos um pouco.
E todos os dias assim será.
Até que um dia deixes de existir.
Até que um dia partas definitivamente do meu corpo…da minha mente.
E com ela…uma tempestade de libertação me liberte deste cativeiro que um dia fizeste em mim.

# 28 . out . 1909 #

Olá.
Sinto que te perco.
De repente, a estrada parece desaparecer num nevoeiro de dúvidas…duma incerteza que me confunde.
Não sinto o teu corpo…a tua presença um luz fraca…que parece afastar-se de mim.
Não sei o que esperar…agora.
Não sei se espero…ou continuo a procurar-te.
Não sei se devo estar atento…presente…em silêncio ou num alarido ternal.
Não sei se espero por um sinal teu…ou finalmente sigo em frente.
Não sei.
Apenas sei que corria para ti. Sempre.
Não te deixaria sozinha…lutando a teu lado contra tudo e todos.
Apenas sei isso.
Assim como não sei o que esperar.
Nada parece ter sentido.
Porque não me procuras?
Porque não corres para mim agora?
Sim…agora…que o mundo é mesmo um palco de aventuras…sem limites ou fronteiras que não seja apenas a vontade!
Mas que confusão é essa te leva para longe de mim?
O que muda de repente…quando tudo parecia finalmente ter um principio?
Talvez seja mais complicado do que penso.
Ou talvez seja eu a querer tudo de uma vez.
Talvez.

# 20 . out . 1909 #

Olá.
Parece-me uma boa maneira de te escrever. Olá.
Vi-te no mercado…e senti-te triste. Desamparada.
Quase como se o mundo se revoltasse contra ti.
Senti-te perdida…esperando que o silêncio te roubasse a vontade e apenas desistir.
Eu…sofro com isso. Por não estar…não poder lutar por ti.
E desejo um dia ter-te nos meus braços…livre…e gritar ao mundo o quanto gosto de ti!

Adoro-te Cristy!

as cartas que eu pensei em te escrever

As cartas que pensei em te escrever…
Conta a história de um burguês de 1900…apaixonado por uma bonita burguesa que conheceu num lugar comum como tantos outros.
Aqui…conto uma história…como tantas outras dos nossos dias!

terça-feira, 4 de maio de 2010

espaços vazios

E é tudo mais do mesmo.
Percorremos ruas em busca do que está ao lado de casa, sôfregos de vontade…enquanto nos espera uma refeição vazia de gente.
Olhamos em volta…e caminhamos em silêncio…vitimas da nossa própria individualidade.
E somos eternos enquanto nos lembramos do passado.
Esquecidos quando chegamos ao futuro.
E de nada serve tatuarmos emoções nas fotografias.
Recordamos momentos…juras de voltar aquele lugar…um dia.
E sem mais nem porquê…resolvemos visitar um outro qualquer lugar…inofensivo…e virgem da nossa memória.