Tem dias que nos calamos.
Sentados, sossegados, no mesmo sofá do costume...ali...no mesmo lugar de sempre...com aquele olhar cheio de coisa alguma. Em segundos, damos por nós a ouvir os passos cansados das gentes que chegam...ou, por momentos, os passos do nosso próprio pensamento.
E de repente, quase sem darmos por isso...somos invadidos por um silêncio quase sepulcral.
Deixamos de ouvir os mesmo disparates da televisão...as persianas que pedem para entrar...os carros que passam lá fora em direcção a lugar nenhum.
Damos de caras com o que realmente somos: um vazio de palavras amorfas…em pré-configuração…que nos leva a lado nenhum.
A mudez das palavras é isso mesmo.
Um caminho de sons…um eco do silêncio…no teatro abandonado da nossa imaginação.