Manhã fria esta.
Os vidros cobrem-se de um nevoeiro fosco. Os carros choram…as árvores banham-se…o chão um lençol húmido de coisa nenhuma.
Acordo sozinho como em tantos outros dias do passado.
Apenas contigo no pensamento como companhia.
Tenho ideia que te afastas…lentamente.
A cada dia que passa…mais distante…tornando-te apenas conceito.
Um pedaço do meu passado…que confesso querer esquecer.
Não quero guardar nada.
Nem uma vã recordação.
O sorriso…que me roubava o chão…o olhar que me baralhava os sentidos…o odor que me transportava para outra dimensão…nada.
Quero esquecer o que um dia foi nosso.
O que um dia partilhamos numa cumplicidade quase utópica e impossível de atingir de novo.
Nada.
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E do nada tremo.
Invade-me uma estranha ansiedade…como se estes dias não tivessem existido.
E aterroriza-me o pensamento.
Temo que a Razão não se faça sentir…caindo de novo no canto da sereia…fazendo-me prisioneiro de novo.
Não sei. Como também não sei o que esperar de novo.
Mede cuidadosamente as palavras…pedindo perdão.
E nada tenho a perdoar. Nada.
O amor inclui a compreensão da vontade…do desejo…do trilho que queremos ou não seguir.
Reserva-me apenas o direito de não querer ouvir…estar…sentir.
Reserva-me apenas o direito de estar magoado…desiludido…não acreditar.
Reserva-me apenas o direito de querer esquecer.
Reserva-me apenas o direito de seguir o meu caminho sozinho…mesmo sendo injusto.
Mas uma injustiça com base na verdade…na resignação…no desistir de lutar.
Brinda-me o dia com um novo fôlego.
E é esse respirar que quero sentir todas as manhãs.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
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